Uma Wikipédia das mulheres

 

Precisei ir até a França para ouvir falar de uma iniciativa pouco divulgada por aqui: a WikiGender, um braço da Wikipédia que trata apenas de questões de gênero. Infelizmente, o site ainda não tem versão em português, ainda que cite termos como “machismo” em artigos em inglês.

 

Entre os vocábulos mais visitados estão a mutilação da genitália feminina, violência doméstica e casamentos arranjados. A igualdade de gênero (ou sua ausência) em diversos países como Arábia Saudita, Índia, China e França parece também atrair visitantes.

 

A seção de estatísticas reúne dados interessantes, separados por áreas como participação política. Neste campo, há uma tabela com a porcentagem de mulheres no parlamento ou em ministérios em dezenas de países, assim como a data em que conquistaram o direito ao voto.

 

Quando estive em Paris nessa semana pude assistir a uma palestra do ex-presidente da associação Wikimedia da França, Pierre Beaudouin. Segundo ele, há várias Wikipédias específicas, como a de gênero, que pessoas ou organizações fundam com o objetivo de complementar a iniciativa original, mantendo os mesmos princípios de colaboração aberta.

 

Não sou daqueles que condenam a priori a Wikipédia por achar que não se trata de uma fonte confiável de informações. Pelo contrário, acho a idéia impressionante, talvez uma experiêcia libertadora, e fiquei mais do que satisfeita em encontrar a WikiGender vagando por aí.



Escrito por Maíra Kubík Mano às 12h59
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Para Anistia Internacional, mulheres brasileiras continuam sofrendo violências e abusos

 

França – Estou em Paris, mas o assunto desse post é o Brasil. Em seu relatório de direitos humanos divulgado hoje, a Anistia Internacional traz novos dados sobre a violência contra as mulheres no país. O estudo concluiu que “as mulheres continuaram a passar por violências e abusos”.

 

A situação nos morros e subúrbios cariocas foi um dos focos do trabalho. Segundo a Anistia Internacional, “mulheres que vivem nas comunidades dominadas por gangues ou por milícias tiveram de enfrentar esses abusos com poucas chances de qualquer reparação”.

 

O relatório cita um exemplo retirado de estudo sobre as milícias realizado pelo Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (LAV/UERJ), que descreveu o tratamento recebido por uma mulher acusada de infidelidade em Bangu, uma comunidade dominada por milícias: “ela foi despida em frente a sua casa, teve a cabeça raspada e foi forçada a andar nua pela favela”.

 

Outro dado significativo é o crescimento do número de mulheres em prisões: nos últimos oito anos, a população carcerária feminina aumentou 77%, de acordo com o Depen (Departamento Penitenciário Nacional). “E as mulheres detentas continuaram a enfrentar maus-tratos, superlotação, serviços inadequados durante o parto e falta de condições para cuidar das crianças”, aponta a Anistia Internacional.

 

Apesar de importante, o estudo está longe de ser animador. Trata-se de um diagnóstico nu e cru da sociedade brasileira, onde a cada 15 segundos uma mulher sofre algum tipo de violência.



Escrito por Maíra Kubík Mano às 05h06
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Como vender um computador para uma mulher

 

Para muitos, o laptop é um instrumento de trabalho. Para as mulheres, é apenas um objeto fashion, que pode ser combinado com suas roupas como um sapato ou um cinto. Em outras palavras, um mero assessório.

 

É essa a impressão que dá o novo site lançado pela fabricante de computadores Dell. O “Della” é um verdadeiro desfile de moda. Ao invés de propagandear a velocidade do processador, o tamanho da tela e os megapixels da câmera, a página mostra os estilistas que elaboraram essa linha de produtos, além de anunciar bolsas que combinam com os ditos cujos.

 

Segundo o site Blue Bus, a situação era ainda pior: “em uma das seções, enumerava as utilidades do produto – ‘Controlar a ingestão de calorias em sites como o Fitday’ era a número 1. Depois, seguiam-se outras – ‘Encontrar receitas online’. E assim ia a lista das incríveis coisas que se pode fazer com um computador”.

 

Após inúmeros protestos, a Dell repidamente modificou a página, pedindo desculpas às consumidoras por “qualquer ofensa”. Mas ainda é possível encontrar um vídeo com dicas de compras online.

 

Será que quem elaborou essa campanha realmente acha que as mulheres iriam adquirir laptops para coordenar suas dietas ou aprender a cozinhar? Essa visão não está um pouquinho ultrapassada para um produto tão moderno?



Escrito por Maíra Kubík Mano às 12h02
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Lituânia elege uma mulher presidente

Pela primeira vez a Lituânia elegeu uma mulher presidente do país. O resultado, que deu a vitória à candidata Dalia Grybauskaite, foi confirmado ontem. Grybauskaite obteve 69,05% dos votos, de acordo com a agência France Presse.

Estou longe de acompanhar a política da Lituânia – parei na época em que este Estado fazia parte da União Soviética – e confesso não saber a posição política da nova governante. Descobri apenas que ela concorreu de forma independente.

Apesar de ficar intrigada e contente de ver que mais uma nação elegeu uma mulher para a presidência, é preciso acompanhar sua gestão antes de qualquer elogio. De qualquer forma, achei que valia uma nota aqui.



Escrito por Maíra Kubík Mano às 22h49
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Maíra Kubík Mano é jornalista. Mestranda em Ciência Política na PUC-SP, estuda a relação entre a mídia e as mulheres. Foi editora-assistente da revista História Viva e já colaborou com diversas publicações. É editora de Le Monde Diplomatique Brasil

 

Viva Mulher é um dos blogs legais convidados do UOL

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