A cantora Leci Brandão e a atriz Hermila Guedes são as estrelas da campanha “Democracia no mundo e em nossas vidas”, lançada pela organização não-governamental SOS Corpo. As duas gravaram vídeos que denunciam a violência contra as mulheres e doaram seus cachês.
A partir da semana que vem, as imagens serão veiculadas por emissoras de televisão, salas de cinema, casas de espetáculo, centros comerciais e casas lotéricas.
“Produzir este material em vídeo, com a participação de duas importantes mulheres permite que a campanha possa sensibilizar mais pessoas. Para que elas possam compreender que onde existe violência, seja qual for a sua forma, não pode existir democracia”, afirma Joana Santos, educadora do SOS Corpo. A ONG, fundada em 1981 no Recife (PE), é uma grande referência na área.
O estado é o recordista em assassinatos de mulheres, com mais que o dobro da média nacional. Os dados são de um estudo realizado pelo médico Glaucius Cassiano Nascimento e divulgado pela Secretaria de Saúde da cidade. Entre as principais causas de morte estão arma de fogo, facadas e espancamento.
Nova York - Que atire a primeira pedra a mulher que nunca se sentiu assediada em um ônibus lotado ou em um vagão de metrô cheio de gente e não quis comentar com ninguém o que passou. Às vezes a situação é quase imperceptível aos olhos daqueles que não estão envolvidos. Ela pode ocorrer quando, por exemplo, um sujeito, com a desculpa de ultrapassar a multidão, raspa seu corpo contra o de uma passageira de forma acintosa - infelizmente, eu já sofri isso em São Paulo. Isso, claro, em casos mais simples. Há ocorrências gravíssimas, envolvendo todo o tipo de toque físico.
Em Nova York, Estados Unidos, a prefeitura decidiu recentemente lançar uma campanha para combater essa prática e informar a população, em especial as mulheres, sobre a necessidade de denunciar essa abordagem abusiva e degradante.
Fiquei sabendo disso simplesmente sentada no metrô. Quando olhei para os anúncios laterais, lá estava um cartaz, escrito em espanhol e em inglês, que dizia: "Assédio sexual também é crime no metrô - um trem lotado não é desculpa para toques impróprios. Não ature, sinta vergonha ou tenha medo de denunciar. Relate o caso para um funcionário do metrô ou um policial".
A idéia surgiu depois que um estudo revelou que 10% das nova-iorquinas tinham sofrido abusos sexuais e 63% já haviam sido assediadas no metrô da cidade.
Escancarar a situação e mostrar que não há motivo para se envergonhar ou evitar falar sobre essa violência - pelo contrário, o vergonhoso é que ela exista - pode ser uma forma de mudar uma prática que, acreditem, nós mulheres vivemos diariamente no transporte público.
A vida como conto-de-fadas sempre me incomodou. Principalmente porque induz as mulheres, desde pequenas, a sonhar com serem princesas. E pior: a vislumbrar um futuro perfeito que começa com a chegada do príncipe em um cavalo branco.
Coube à fotógrafa canadense Dina Goldstein colocar um ponto final nessa ilusão. O projeto “Fallen Princesses” – algo como “princesas caídas” – começou a partir da simples observação de sua filha de três anos lendo os livros da Disney. A menina ficou absolutamente fascinada com as histórias e exigia vestir-se como as personagens.
Dina percebeu que “as versões da Disney sempre tinham um começo triste, comuma insuportável vilã feminina, e o final era previsível e feliz. O príncipe geralmente salva o dia e transforma a jovem e bela vítima em uma princesa”. Ou seja: nada poderia estar mais distante da vida real. Não só porque o “e foram felizes para sempre” é algo praticamente impossível, por mais otimista que se seja, mas porque as mulheres não dependem de ninguém para resgatá-las.
O trabalho de Dina já está circulando há algum tempo, mas eu o descobri só agora e fiquei encantada, se permitem o trocadilho. Vejam alguns exemplos:
Maíra Kubík Mano é jornalista. Mestranda em Ciência Política na PUC-SP, estuda a relação entre a mídia e as mulheres. Foi editora-assistente da revista História Viva e já colaborou com diversas publicações. É editora de Le Monde Diplomatique Brasil